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sexta-feira, 19 de maio de 2017

link da materria-http://forumsaudemental.blogspot.com.br/2017/05/18-de-maio-2017-dia-nacional-da-luta.htmlhttp://forumsaudemental.blogspot.com.br/2017/05/18-de-maio-2017-dia-nacional-da-luta.html


FAZ ESCURO, MAS EU CANTO:
LIBERDADE EM TODO CANTO!
Por uma sociedade sem manicômios: insígnia que surge em 1987, há 30 anos, durante o II Encontro Nacional dos Trabalhadores de Saúde Mental, em Bauru/SP, constituindo um singular coletivo – o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial. Desde então, a história é testemunha e atesta os efeitos da luta pela liberdade e pelos direitos de cidadania na vida dos que foram historicamente excluídos e segregados pelo abuso da razão.
Ao longo desse tempo, aqui em Minas Gerais, apesar de comemorarmos o Dia Nacional da Luta Antimanicomial desde 1988, será em 1997, que a Escola de Samba Liberdade Ainda que Tam Tam organiza pela 1ª vez seu cortejo no entorno da Praça Sete. Em sua estreia nas ruas, a manifestação trazia aos olhos da cidade a poética das artes, vestindo uma bandeira que se movimentava com a dança do corpo, os parangolés de Hélio Oiticica propondo autonomia e liberdade, propondo na re-performance da obra, a expansão das sensações, rompimento e estímulo da expressividade, antítese da lógica manicomial.
A Escola de Samba, Liberdade Ainda Que Tam Tam deu continuidade à  manifestação no formato de desfile, abrindo alas, em 1998, ano do centenário da Carta dos Direitos Humanos com o primeiro samba enredo “Pelos Direitos de Vida e de Amor” que organizaria a manifestação-cortejo com os agrupamentos temáticos relacionados aos direitos fundamentais: saúde, casa, terra, trabalho, liberdade, lazer, alegria.
E seguiu avenida afora por 5 anos consecutivos, agraciados pelas composições de Airton Meireles, que nos pautava e pediam passagem para a loucura desfilar a vida. Prá que remédio em tanta fantasia?
E fomos em frente, inovando e reinventando ao ampliar os espectros, os itinerários, as possibilidades e os lugares de pertencimento, com a realização dos concursos de samba e outros destaques desde 2005 até 2017, ano da realização do 20º desfile pelo Dezoito de Maio, reafirmando que celebrar também é reagir.
Num alto de retrocessos, com uma escuridão que se faz presente de modo imperativo a perder o brilho dos afetos das coisas, ao tentarem nos conter impondo-nos o sombrio da perda dos direitos conquistados e diante das ameaças à nossa democracia brasileira, reagimos: nenhum passo atrás. FAZ ESCURO, MAS EU CANTO: LIBERDADE EM TODO CANTO!
Em meio a uma enxurrada de subtrações impostas ao povo, nesse delicado momento da história do nosso país, resistimos! Enlouquecidos em nossos brados críticos e retumbantes, querelantes e teatrais, denunciamos outros interesses que não os da democracia e da igualdade, lançamos na arena a visão de um novo mundo, um mundo suave, inclusivo, onde os corpos possam ser livres, onde a composição dos afetos e pensamentos possa dar forma a potentes atos de criação e convivência. Enquanto subtraem-se da saúde, da educação, da seguridade social os avanços conquistados, querem nossos corpos, nossas consciências, querem nosso bem estar em detrimento de outros interesses que não o da vida plena para todos e assim reeditam a velha escravidão, com aplausos à “meritocracia”, essa quimera sedutora e excludente.
Por um mundo que não veja a rebeldia como “erro”, mas como fio condutor para a criação de outras formas do dizer, para a invenção de outros modos de sociabilidade para as criaturas. Por um mundo que veja a loucura como a experiência que nos ensina sobre nossa humanidade. Essa é a sociedade sem manicômios!
É um chamado ao encontro com a alteridade do delírio, um olhar para o trabalho do louco, para a percepção da experiência de enlouquecer. Faz escuro e precisamos da “claridez” para iluminar as saídas, precisamos do louco reconhecido como criatura humana. Nossa intervenção em forma de carnaval, nada mais é do que proposição de uma realidade que produza a superação dos preconceitos e das dificuldades geradas na e pela indiferença.
E quando o poeta diz que: “Em Minas Ninguém enlouquece, se manifesta!”, é nessa licença poética que a Escola de Samba “Liberdade ainda que Tam Tam” vai festejar seus 20 anos de lutas e conquistas! Que a Luta Antimanicomial vai comemorar seus 30 anos de coragem e ousadia.
Se no escuro o medo nos assombra, amedronta, fecha e tranca, é nele que podemos encontrar a oportunidade de nos perceber, reconhecendo nossa força e capacidade de resistência. Podemos fazer da escuridão uma saída e não um ponto final.... Segue o enredo da vida e a escrita de cada história, com a força da poesia e a coragem revolucionária do novo: um novo canto e outros cantos que nos alentarão rumo à sociedade sem manicômios _ um outro gerador de vida.
Nosso desfile evoluirá com as seguintes alas:

1ª ALA: “Não se Coloca Ponto Final na Estaca Zero”
Há exatos 30 anos, em Bauru/SP, aconteceu o II Encontro Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental - um momento histórico na Reforma Psiquiátrica que mudou o calendário brasileiro, alterou destinos, produziu vida, iluminou saídas. Ali se definiu o lema ético “Por Uma Sociedade Sem Manicômios” e foi instituído o Dezoito de Maio como Dia Nacional de Luta Antimanicomial.
Em Minas Gerais, 10 anos depois, saía pelas ruas do centro da capital uma manifestação/cortejo, uma preliminar do que seria a Escola de Samba Liberdade Ainda Que Tam Tam e para dar o tom daquele acontecimento foi parodiado um samba do Martinho da Vila: “Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza prá lá, com a saúde mental encantar BH”.
Em 1988, ano do centenário da Carta dos Direitos Humanos, foi composto o 1° samba original que organizou a manifestação-desfile com agrupamentos temáticos, “pelos direitos de vida e de amor”.
O “Louco Encanto” de Airton Meireles, com direito à “Amazônia Ornamental na Alemanha ou à Geleira Tropical” aqui, trilhou sonoramente a nossa homenagem a César Rodrigues Campos, em 1999.
E desfilamos avenida afora por 5 anos consecutivos, agraciados pelas composições do Airton Meireles que “pediam passagem prá loucura”. “Cabeça que é palha e que fica acesa noite e dia, quando atrapalha, bota remédio em tanta fantasia?”
“O louco de hoje em dia quer sambar, ter trabalho, emprego e por ser de lua cheia, traz a teia do Bispo para andar livre no mundo pintado em aquarela. Viva os serviços de agora, as ONGs e os soldados livres na avenida, para vencer a exclusão”.
Desde 2005, até nossos dias, acontecem os concursos de samba enredo, a escolha da rainha de bateria e do casal de Mestre Sala e Porta bandeira trazendo histórias e personagens por um caminho que se faz aberto na “luta por delicadeza e em versos o reverso de um sonho para viver em Minas livre e tam tam. Estou ouvindo vozes?”.
Nos enredos, ainda, a defesa incondicional do SUS e do direito à diferença; as denúncias sobre a manipulação midiática, sobre os desmandos do poder imperialista e a crítica às estruturas que aniquilam a existência.
Nesse 20º desfile da Liberdade Ainda Que Tam Tam confirmamos o poema de Olavo Romano que diz: Em Minas Ninguém enlouquece, se manifesta! Por isso aqui nos apresentamos e seguiremos tecendo o manto dessa história até o tempo da sociedade sem desmandos, respeitada em sua diversidade: a luta por uma sociedade sem manicômios e seus 30 anos de existência.
(Serviços: Brumadinho, Hospital Galba Veloso, Cersam Pampulha, Centro de Convivência - CC Pampulha, C.C. Oeste, Cersam Oeste. Referência: Gisele/ Wilma: 3277-7310).
2ª ALA: “Há de Enlouquecer, Sem Perder a Criatura”
Criador e criatura, sem perder a loucura, que por vezes cria dor, mas atura e cria à altura. Num alto de retrocessos, com a escuridão que se faz presente de modo imperativo, a perder o brilho dos afetos das coisas, quando tentam nos conter impondo-nos o sombrio, reagimos: Nenhum passo atrás. Lutamos por igualdade social, vendo os loucos como pessoas, sujeitos que podem e devem mostrar sua loucura na arte e no cotidiano sem ser tratado com preconceito.
Para que a diferença seja tratada na igualdade, fazemos um chamado para um encontro com a alteridade do delírio. Lançando uma mirada para o perspectivismo da loucura, damos luz ao louco e às suas criaturas, convivas nossos de cada dia. Resistimos!
Enlouquecidos, com gritos frenéticos e brados retumbantes, querelantes, teatrais e críticos, denunciamos os interesses e desvios da luta entre o velho e o novo e lançamos na arena a visão de um novo mundo, um mundo suave, inclusivo, onde os corpos possam ser livres, onde a composição dos afetos e pensamentos deem forma a potentes atos de criação. Por um mundo que não veja a rebeldia como “erro”, mas como fio condutor para a criação, para as criaturas, partículas da vida em sua singela trajetória de encontros e desencontros. Faz escuro, mas eu canto: liberdade em todo canto!
(Serviços: C.C. Barreiro, Sabará, Cersam Barreiro, C.C. Providência, Cersam Norte. Referência: Betânia (3277-7482) e Marise (3277-5889)
3ª ALA: “Adulto, Não nos Adultere!”
Desde o primeiro desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda Que Tam Tam, essa tradicional ala colore a avenida com sorriso e carisma de cada criança e adolescente que ela representa.
Além de dar mais esperança a essa luta, o faz com a leveza e a alegria que só os foliões mirins conseguem levar às ruas.
Este ano, o tema da ala é “Adulto, não nos adultere!”, buscando sensibilizar a sociedade quanto à necessidade de atenção e cuidados com as crianças e adolescentes. Adulterar é colocar em risco o encanto da infância e adolescência. Dar a eles uma vida digna requer a garantia de proteção e cuidados.
Esse apelo vem também num momento em que temos assistido em Belo Horizonte à legitimação de um doloroso processo de sequestro de crianças de mães com trajetória de rua e/ou usuárias de drogas. Suas crianças são retiradas e dadas em adoção a partir de decisões da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Belo Horizonte. Essa é uma emergência que criminaliza a pobreza, discrimina as mulheres e violenta as crianças e suas mães.
Adulterar uma criança ou adolescente é roubar-lhe as chances de uma infância rodeada de carinho e cuidados e, sobretudo, é 'adultizá-la' precocemente infringindo-lhe dor e sofrimento.
Adultos, respeitem nossas crianças! No lugar das marcas que a violência tem deixado em seus corpos, vamos envolvê-los em laços de afeto, dignidade e delicadeza. Nesse 18 de Maio, as crianças e adolescentes darão seu grito “Adulto, não nos adultere!”, um alerta, um imperativo à toda sociedade.
(Serviços: Cersami Noroeste, Cersami Betim, Arte da Saúde, CAPS I Neves, Equipes Complementares, Cersami Nordeste. Referência: Rosalina (3246-7565(7564)) e Wellington (3277-9279/99974-7202).
4ª ALA: “Não Me Tires o Que Não Podes Me Dar”
Com o advento da Reforma Psiquiátrica no Brasil, assistimos a partir dos anos 90, a um crescimento de demandas em atenção psicossocial aos usuários de drogas na rede de saúde mental. Nos anos 2000, se instalam os primeiros CAPS/CERSAM Álcool e outras Drogas e em 2011 os Consultórios de Rua inauguram a atenção aos usuários nas cenas de uso de álcool e outras drogas em Belo Horizonte, demarcando o compromisso do SUS com os usuários de drogas em situação de rua através das estratégias da Redução de Danos. A Unidade de Acolhimento Travessia – em Belo Horizonte, há 2 anos traz o diferencial para a continuidade do cuidado - um lugar que se opera nos intervalos, nas descobertas, nas construções, no morar, na convivência!
Para iluminar nossa trajetória de luta antimanicomial, buscamos o filósofo Diógenes de Sinope, o cínico, que no século III a.C., com uma lanterna acesa durante o dia procurava uma pessoa honesta nas ruas de Atenas. Diógenes “mangueava”, ou seja, pedia dinheiro às estátuas da cidade alegando estar treinando para suportar a reação das pessoas. Morando em um barril, encontrou tudo o que precisava para viver. Certa manhã de sol, Alexandre, o Grande, se aproxima de Diógenes e lhe oferece qualquer coisa que necessitasse. Este o contesta “Não me tires o que não podes me dar”; e assim Diógenes solicita “Afasta-te do meu Sol”, algo tão necessário que nem a pessoa mais poderosa da terra poderia lhe dar. Diógenes foi um filósofo em situação de rua que se denominava “Cidadão do Mundo”, através de seu cinismo, produziu com seu modelo de vida, uma experiência radical de liberdade e crítica ao poder.
Hoje em dia, entende-se que os “cidadãos do mundo” têm como princípio fundamental o direito de transitar e se expressar em liberdade, reconhecendo suas condições para apontar e construir sua trajetória de vida da maneira que lhe é possível e suportável. A política de Redução de Danos é antimanicomial e uma conquista que respeita a autonomia do sujeito na construção do que deseja e de fato necessita.
Nos últimos anos, mulheres cidadãs do mundo, usuárias de drogas em situação de rua, sofreram a destituição do direito de ser mãe e a perda do direito dessas crianças de estarem com suas famílias extensas. Direitos violados pelas Recomendações nº05/2014 e 06/2014 da 23ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Belo Horizonte e da Portaria Nº 3 da Vara Cível da Infância e Juventude; mesmo diante das orientações da Resolução Estadual que visa preservar o direito dessas mães exercerem a maternidade “possível”, no escuro que estamos vivendo, os filhos de cidadãos do mundo são sequestrados em nome da pseudoproteção social.
Sob a voz dessas mães e demais cidadãos do mundo, damos volume ao coro que afirma “não me tires o que não me podes dar”- pela Liberdade e pelo direito de ser mãe,  pelo direito de ser cidadão do mundo. Em tempos de poderes sombrios resgatamos a lanterna de Diógenes e pedimos licença, pois “o sol há de brilhar mais uma vez e o amor será eterno novamente”.
(Serviços: CR Noroeste, C.C. Carlos Prates, Cersam Noroeste, Cersam AD Barreiro, CMT, CR Norte. Referência: Elisa: 3277- 7228)
5ªALA: “CRIAR SEM TEMER”

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